O Museu Água é um projeto idealizado pela Associação dos Engenheiros da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Aesabesp) para a criação de um novo equipamento cultural na cidade de São Paulo. O novo museu visa estimular o interesse e o debate em torno do ciclo da água, contar a história do saneamento básico e promover a conscientização socioambiental, trabalhando nas frentes de pesquisa e divulgação do acervo e patrimônio histórico do setor.
A criação de uma instituição cultural dedicada à preservação e difusão do patrimônio cultural do saneamento básico se dá pela necessidade de conscientizar a população acerca do desenvolvimento e importância do saneamento ambiental, articulando pesquisa, preservação e comunicação do patrimônio, promovendo a integração social e a cidadania.
O equipamento cultural será implantada nas instalações da Repartição de Águas e Esgotos de São Paulo (RAE), atual Centro de Reservação França Pinto da Sabesp, que abastece a região da Avenida Paulista. A maior parte dos edifícios data da década de 1920 e o conjunto foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), em 2013, e pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) em 2014. Fazem parte do complexo o conjunto de adutoras, o reservatório e a casa de bombas, além de outras edificações de apoio e uma significativa área verde.
O processo de criação do museu começou em 2019, quando um concurso nacional foi realizado para selecionar o projeto arquitetônico. A proposta vencedora foi a do escritório SIAA Arquitetos Associados. Para realizar as demais ações nas áreas de restauração, museologia e educação, foi firmada uma parceria entre o Instituto Pedra e a Base 7 Projetos Culturais
- Planta com implantação do futuro Museu Água no Centro de Reservação França Pinto – Créditos SIAA Arquitetos
As instalações da Repartição de Águas e Esgotos de São Paulo – Centro de Reservação França Pinto
A RAE – Repartição de Águas e Esgotos de São Paulo foi o órgão responsável por planejar o desenvolvimento da água e esgotos da cidade de São Paulo e outros municípios designados pelo Governo Paulista até 1954. Atual Centro de Reservação França Pinto da Sabesp, as antigas instalações operacionais da RAE que receberão o Museu Água funcionam desde sua construção, em 1929, até hoje como estação de tratamento e elevação de água para a região da Avenida Paulista, marcando a paisagem local junto de ícones da arquitetura paulista como o Museu de Arte Contemporânea da USP e o Instituto Biológico, edificações vizinhas. Parte das instalações foram tombadas pelo CONPRESP através da Resolução 20/2014 em reconhecimento ao seu valor histórico para a cidade.
O escritório SIAA Arquitetos foi o vencedor do concurso nacional para escolha da sede do museu realizado em 2019.
O Projeto de restauro
As atividades realizadas em parceria entre o Instituto Pedra, a Aesabesp, a Base 7 Projetos Culturais e SIAA Arquitetos Associados consistiram principalmente na elaboração de projetos arquitetônicos de adaptação e restauração das edificações históricas e no desenvolvimento do projeto de novas edificações que venceu o concurso, além do plano museológico e do projeto museográfico.
O projeto arquitetônico se baseou na necessidade primária de construir as novas edificações, que comportarão ambientes do museu, como auditório, reserva técnica e área expositiva, e serão integradas às áreas comuns e aos demais prédios históricos.
O projeto de restauro teve como objetivo a recuperação da materialidade arquitetônica das edificações existentes, mantendo suas funções operacionais e qualificando-as como pontos do percurso expositivo.
O novo equipamento cultural contará com trajetos externos em meio a espelhos d’água, que permitirão ainda a integração com ícones arquitetônicos vizinhos, como o Instituto Biológico e o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo (MAC-USP). O projeto paisagístico é assinado pelo escritório Soma Arquitetos.
Projeto museológico
O desenvolvimento conceitual do museu ensejou a comunicação entre diversas áreas para a elaboração do projeto museológico. Foram previstos produtos específicos: o plano museológico, isto é, o documento de gestão que abrange o diagnóstico, os programas e as diretrizes iniciais para o funcionamento do museu; a proposta curatorial, que faz uma síntese dos temas a serem explorados a partir da água, considerando sua função social, aspectos físico-químicos, usos históricos e tecnologias envolvidas no abastecimento e saneamento públicos no Brasil; e o projeto museográfico, em versão preliminar, idealizando os ambientes e os recursos analógicos e digitais que vão promover uma experiência de visitação adequada ao grande volume de informações e abordagens interativas e lúdicas.
A identidade visual do museu também foi criada para ressaltar o conceito de fluidez, norteando a proposta de curadoria desenvolvida para o local e se dividindo em 4 módulos: 1) Histórico; 2) Conservação da Água; 3) Hidrologia/Hidrogeologia e; 4) Pioneiros Brasileiros e Avanços Tecnológicos, perpassando os temas e o próprio elemento água.
Seminário de formação
Como parte do programa educativo do Museu Água, foi realizado um seminário aberto e gratuito sobre a história do saneamento ambiental no estado de São Paulo e suas implicações no desenvolvimento socioeconômico da região e na qualidade de vida da população. Cerca de 200 pessoas participaram das palestras e das dinâmicas ministradas pelos especialistas convidados. O evento contou com transmissão ao vivo.
O Instituto Pedra é a instituição responsável pelo projeto cultural de criação do Museu Água, viabilizado pela Lei Federal de Incentivo à Cultura e contando com o patrocínio da Absolute Investimentos, Moat Capital, Dexco, Aquapolo Ambiental, Ambev e Leo Madeiras.
Para ter acesso ao projeto, faça uma solicitação através do formulário. Após preenchimento, envie um e-mail comunicando a solicitação para arquitetura@institutopedra.org.br.

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